Affonso Romano de Sant'Anna e Diana-Dru (arquivo pessoal/Agosto de 2005)
Pagã.
Batizei-me nas águas geladas de um vale inventado. Cortejei fases da lua, poetas...numa pluralidade cheia de cismas sobre as tais cores absolutas, invisíveis. Oscilei muitas vezes entre a virtude de um texto simples e a mesmice de escrever até escrever.
Noites...noites e um turbilhão de pensamentos encharcados. Estranhas combinações que se aglomeraram pelos velhos cadernos. Chavões inúteis criaram páginas brancas. Até onde eu seria o próprio enigma a decifrar?
Seriam minhas as palavras que atiravam-se em todas as direções sem desejar escolher caminho, este ou aquele?
Tuas sentenças amigas dizem que a luz poética penetra frestas. Que poetas não cogitam entender sobre o que não necessita ser entendido porque descobrem o prelúdio pessoal, intransferível da poesia.
Alguns textos atropelam pensamentos e nascem. Alguns são velhos rabiscos esgotados.
Enxugo a testa e o que não entendo permanece refugiado porque escondido seguro está. Até que a luz se faça, até o que em mim se disfarça, até que o até aconteça, eu escrevo erro berro e borro. Pagã.



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