Desdobrando das dobras
Walt Whitman
desdobrado das dobras da mulher
o homem se desdobra e está sempre
por vir a se desdobrar;
desdobrado da mulher mais soberba da terra
está por vir o mais soberbo homem da terra,
desdobrado da mulher mais amigável
está por vir o mais amigável dos homens;
só desdobrado do corpo perfeito de uma mulher
podem criar-se os poemas do homem
(é só daí que vêm os meus poemas),
desdobrado da arrogante e forte mulher que eu amo
só daí é que pode vir
o homem forte e arrogante que eu amo,
desdobrado dos abraços vigorosos
da mulher firme que eu amo
é só daí que vêm os vigorosos abraços do homem
desdobrada das dobras do cérebro da mulher
procedem todas as dobras do cérebro do homem
umas seguindo as outras obedientemente,
a desdobrar-se da justiça da mulher
toda a justiça do homem se desdobra,
desdobrada da simpatia da mulher
é toda simpatia;
grande coisa é um homem pela terra
e pela eternidade,
mas cada vírgula da grandeza do homem
tem sua origem na grandeza da mulher
-primeiro o homem toma forma na mulher
e só depois pode tomar forma em si mesmo
O autor: nasceu em 1819, em Long Island, perto de Nova York numa casa modesta. Passou a infância no Brooklin. Aos 20 anos, era impressor, dava aulas para crianças e tinha fundado um jornal no qual ele escrevia, imprimia e distribuía. Em seus poemas, exaltou os trabalhadores da América, e defendeu a liberdade individual, a fraternidade democrática e a igualdade de raças. Aos 54 anos, sofreu de um mal que o deixaria de cama pelos 20 anos seguintes. Morreu em 1892. Era um dos poetas preferidos de Fernando Pessoa.



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