(na estrada que leva à Cordisburgo, o olhar vai ganhando soltura e foge alto...)
Cordisburgo está lá. Com o tempo escorrendo lânguido entre ruas e gente. O sertão de Guimarães Rosa espiando a tudo e todos, do alto e para todos os lados. Espalhados pela pequena cidade, os fiéis cumprem sentença para entender suas próprias veredas.
Caminhar pelo universo do escritor é mágico. Despista-se a razão, empina-se a própria sina sobre um misterioso alazão e cumpre-se assim, a jornada silenciosa.
Quem cata vestígios, encontra pistas. Desentende mundo e compreende o que é conspirar com as coisas simples.
A velha casa virou museu para que qualquer olho possa alcançar lembrança. Não vale bulir. Não se deve corromper o silêncio que descansa as coisas do moço. O Grande Sertão, Veredas, guarda segredos de viagem. E ele bem sabia: só descobre quem cisma. É sina de coração.

(máquina de escrever usada pelo escritor Guimarães Rosa)
O cotidiano não me entristece. Nem me queima a rotina das horas, dos homens, nem de todas as coisas. O que me causa pasmaceira absoluta é esse cansaço encantado de quem não encontra descanso se não escreve...

Já tentei ver melhor o mundo por janelas. Também espiei por vigias. Nenhuma me trouxe visão melhor que esta, fora de mim. Porque o mundo pode mesmo parecer estreito se não aceitamos cruzar fronteiras para tecer destino. Ir além de onde se está... buscar o coração onde nunca se esteve antes. Depois, seguir viagem.