Se as manhãs (te) acordam sempre à hora marcada,
para quê a pressa?
Minha sina nasceu com o sereno - eu desdenhei madrugadas enxugando poemas, incensando minhas próprias fogueiras.
Poesia é uma esfinge, sim. Uma senhora in natura madura contemporânea céu só.
Há um seu lado místico que recita mantras entre versos e metáforas e um lirismo tardio que talvez incinere dores com um outro tanto a descobrir-se. Os poemas jazem para salvar-nos do esquecimento.
Nascendo fictícios vêm cheios do borrão de verdade que sempre abisma uma palavra reinventada.
Bardos
têm fardos
são prenhes
Não se tem que explicar como mas entender quando quanto.
Não é fácil tornar uma palavra par quando a caneta falha no despejo de sua carga, desejando apenas servir à sina de um poema: talvez tudo deva mesmo ser reescrito.
Com espasmos e assombros constantes, eu miro o espelho onde a senhora dessa nossa alma cavalga noites sinistras e descubro quão alongado é o dorso de quem a carrega. Ela não habita os seios dos desesperados mesmo que a tormenta ensaie poetas.
São mãos frias que devem agasalhar a alma até que se aqueça papel. Cismar é borrar poemas apenas quando as palavras queimam.
Vencendo as horas hostis despertam-se os bardos.