Diana-Dru, entre nós e laços


Terça-feira , 26 de Outubro


Narrativa de um dia branco by Diana-Dru


Tenho olhar espalhado. Vibro espasmos com a alma às escuras mas não estou cega. Duvido que o vento me faça cócegas onde não ache graça. Acredito em mãos e em pedidos. Aceito abraços para armazenar cheiros. Enfeito rostos para que as máscaras não inibam espelho. Miro entediada a fala que não atravessa alma nem corrompe paciência. Gosto de algumas cores misturadas e do barulho de sapatos com alguma direção nos pés. Prefiro não dizer nada. Muitas vezes calar é resguardar um filho. 40 dias ou 40 noites. Tenho verso que expira manso. Tenho poema mata espessa de palavra enlouquecendo sentido. Não tenho razão. Não guardo aflição. Reanimo-me cometendo o pecado de acreditar. Sou almofada indiana solta pelo chão. Apenas linhas bordadas pacientemente me acomodam entre os finos braços da poltrona preferida. Ancoro meu jeito de ser à janela para poder confessá-lo à rua. Sinto a imagem estremecer o espelho e sei, não é a cidade que abala. São murmúrios e essa fala miúda. Eu já vigiei bastidores, já estive em túneis engraçados cheios de espirais inventados para me entocar e sempre encontrei saída para uma porta e janelas com olhar avarandado. São altas as horas que acendem luminárias para este coração. Cultuo um lírio branco que ora pálido à luz da vela e mantém o olhar baixo quando sorri para a mesa que o detém fixo. A chuva deveria lavar abundantemente os cabelos e azular pensamentos encardidos. Secreta eu sou quando ouso. Meu olhar confessa que não me absolvo nunca. É que para lá do fim, tudo faz barulho. Acredito no medo sempre acompanhado de gente passando sozinha. Creio que quem guarda o orvalho de noites antigas batiza de novo o passado. O céu sempre queima os olhos que não sabem o destino das palavras que morrem na garganta e nunca no papel. Onde está o verbo, não sei. Talvez em algum lado escuro contrariado de verso que teima encontrar o avesso perfeito. Sou uma metade de alma que não julga o que descreve e não desdenha do que vê. Apesar de o céu queimar noite todo dia e as marés vibrarem com a lua, os mistérios que envolvem o amor ainda me comovem.


Escrito por Diana-Dru às 22h28
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Quarta-feira , 13 de Outubro


In natura by Diana-Dru


Ajeito flor para aquecer vasos e alinho quadros para encantar os cantos das paredes. Sorrio para os deuses que me cercam com inebriadas bobagens. Converso comigo mesma sempre à mesma sombra da tarde. Sou espécie em ebulição sempre cativa dos laços. Quando planto árvore, tenho desejo de virar folha para proteger o fruto. Piso manso em respeito às pedras que também guardam caminho.

 

Já cultivei manias como ver estrelas de dia e pernoitar noites em claro. Hoje não tenho uma fruta preferida mas muitos versos mordidos. Tenho um apetite que só passa quando belisco realidade e uma tal de lucidez que só se acalma quando sonho pesado. Um dia de cada vez.


Escrito por Diana-Dru às 17h18
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Domingo , 10 de Outubro




Escrito por Diana-Dru às 19h52
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Quarta-feira , 06 de Outubro



Dona de célere passo curto, esticava pensamento até alcançar busca. Navegava rio com sonho a vela. Imitava pirilampos e não guardava segredo com estrelas. Consagrava noite fora de casa até ser clareira com trilha de mata. Sua natureza azul não temia profundidade. O anoitecer elucidava deserto e oásis compreendia sol. Mantinha olhar correnteza de rio. Onde o sonhar fosse rio, navegava o possível.


Escrito por Diana-Dru às 21h50
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Terça-feira , 05 de Outubro



 

Leu horóscopo repensando constelação à hora do próprio nascimento. Insistiu com a bolsa: batom é imprescindível se encontrado. Há sombras que caramelizam pálpebra denunciando a metamorfose que sofre o olhar. Manteve a  preguiça de conciliar-se com o mundo. Mas afinal, continuar é quase viver. A revista distraída mostrou fotos sobre a vida de gente estranha. Sobre almas, cochicharam na mesa ao lado. “Poetas são tolos: mesmo felizes são tontos”. Melhor foi rir e brincar com o palito de fósforo. Gostava do fogo e pôde testá-lo no próprio dedo. Todas as horas ardem. Ela sempre foi chama inexata. O relógio na parede do boteco espalhava tempo. Tudo parecia quente. Beber suco de laranja transtornava mas vodka não permitiria pensar. Àquela hora os humanos comuns miravam a mesma cena: mais um pôr-do-sol. E o céu estava todo cinza-chumbo. Num salto estava de pé: nada como espreguiçar injustiças. Mantinha seu olhar desmistificado. Encarando céu poderia ver muito mais daquela sombra púrpura caída longe. Mais um dia desmaiava cansaço. Sentiu-se vencida por toda aquela gente estranha misturada à milenar paisagem. Era como colidir sua visão de mundo contra aqueles olhares sem crença - sem refúgio - sem fé. E disparando pensamento arrematou a linha que cismava fugir do ponto crochê da blusa mineiríssima: porque nem sempre quem crê tem fé ou vice-versa. Mordiscou a linha discretamente. Livrar-se-ia dela ainda que todos os fios zangassem. Escorregou o olhar pelo bar e estalou os dedos queimados chamando garçom. Se paga caro pelo lanche sem graça mas descansa-se da febre que se tem de voltar para casa.  Escancarada mesmo estava a noite. Chegando ao hotel não mediria tempo para entender jornal ou ler livro novo. Seu café da manhã seria o dia seguinte. Recomporia aquele seu ar de moça sonolenta que acordava cedo porque o dia demorava por demais a espreitar sua janela. E depois, viver sempre foi simples: tudo uma velha novidade. Dando de ombros, saiu caminhando sob a chuva invocada. Molhar os caminhos era ainda o que melhor sabia fazer. 


Escrito por Diana-Dru às 22h05
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Segunda-feira , 04 de Outubro


Pensando alto...



Escrito por Diana-Dru às 21h30
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Domingo , 03 de Outubro


ESBOÇO by Diana-Dru



Escrito por Diana-Dru às 21h32
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by Diana-Dru



Escrito por Diana-Dru às 17h25
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Sexta-feira , 01 de Outubro


Especial Diana-Dru: À Poesia em cada um dedico o meu Dois em Um

                                                                                                                  


Escrito por Diana-Dru às 00h23
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