
Para Affonso Romano de Sant'Anna

Para Affonso Romano de Sant'Anna
reaprendo a contar dias. percorro o caminho do olhar. água, tuiuiús e sentimentos. meu trabalho. se não soubesse o que ser seria ainda assim: algum pedaço de caminho entre o que vejo e o que penso. todo olhar deveria ver novo até trazer solidão. queimar planície - testar a pele. sem protestos o sol convence firme: o caminho à frente será curto se o trajeto não for meu. tenho passo longo - falo sério. biodiversidade deveria ser palavra e chave. abro meu caderno e espio quente a arara azul que compreende o jeito com que voa meu pensamento. além do quê, o olho não alcança a queimada que inibe o azul do céu - uma outra cor da vida. eu queimo por dentro ao ver o que me resta: o velho combustível de alma - escrever, escrever e escrever. até que a noite esconda a paisagem. a natureza tem segredos - eu tenho mudez e vergonha.
(caderno de viagem – 17/09/04)
minha viagem começa
sem a espera nos olhos
e tudo pode ser
meu clarão
o teu olhar lambe-lambe
azul-arara
teu sorriso-esfera
não esconde planeta
cor
ação
e a vida segue
pantaneira
alagada alma
cheia do teu mistério
planície
Passo do Lontra, 19 de setembro de 2004 - foto by Diana-Dru
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