Diana-Dru, entre nós e laços


Sábado , 28 de Agosto




Escrito por Diana-Dru às 11h01
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Sábado , 21 de Agosto


de pardais e trovões by Diana-Dru



Escrito por Diana-Dru às 16h14
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Segunda-feira , 16 de Agosto


Trilogia by Diana-Dru


Pra quando a alma açoitar, possa a paisagem aquecer.

 

I 

 

o mistério é sísmico:

misto de sacro e profano

 

o que me desafia a cura:

a ferida aberta

 

o que contorce meu céu:

é o poema impossível

 

e o que faço

é chover

 

II

 

serpenteia o meu verso como folha precipitando-se distraída:

se a tua mão inibe o vento

toco

 

III

 

 

senhora

se teu bastão é o que move ciclos

grava-me no peito o broche da hora:

entender luz

doutrinar escuridão

Escrito por Diana-Dru às 22h04
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Domingo , 15 de Agosto


Julieta adormece colada às estrelas by Diana-Dru


O arvoredo segredou-me das ilhas que todos somos.

Para lá da tua mão.

 

 

queria teu abraço e também tua mão

teu amanhecer com verso emplumado

a tua boca ungida da minha salvação


 

Escrito por Diana-Dru às 21h14
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Sexta-feira , 13 de Agosto


Amar na corda bamba, entre outras coisas by Diana-Dru


Minha estante é cheia de pensamento dos outros. Tenho olhar que desalinha livros. Cada um em seu lugar.


 

 

Tenho o hábito de andar pela rua desarrumando pessoas.Vitrines mostram exatamente o que se projetou ver. Sei de uma porta secreta que dá lugar ao que fica escondido. Devo estar abarrotada com verso que não encontra saída. Por isso olho bem pra o que voa até não conseguir mais ver. Quando corro os olhos pelas vitrines que andam e falam, eu cravo sorriso de gente.


 

Temo silêncio encorpado que poda tudo à minha volta. O desespero me desafia. Contraio a razão quando compreendo poesia. Mil cacos em papel guardam de mim a palavra amassada. Nenhuma frase sozinha é chuva que compreende ilha. Sempre me falha o barco à hora de abraçar o cais.


Escrito por Diana-Dru às 21h34
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Quinta-feira , 12 de Agosto


Demônios do Poeta V,VI,VII by Diana-Dru


 

O gerânio vibrou ao ouvir minha mão. Assim a palavra quando a alcanço. 

O resto passa.

 

demônios do poeta 

 

V

tentar rimar a sina

dá no que dá:

anverso 

 

VI

ser projétil de palavra

tiro no escuro  

 

VII

sobra de festa para olhos de poeta

é uma puta ressaca cheia de poema bêbado


Escrito por Diana-Dru às 22h34
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Quarta-feira , 11 de Agosto


Demônios do Poeta III e IV by Diana-Dru


 

demônios do poeta 

 

III

nada segura mais seu olhar

que palavra fugindo

 

IV

viver pra não inventar


 

Escrito por Diana-Dru às 08h51
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Segunda-feira , 09 de Agosto


Demônios do Poeta I e II by Diana-Dru


escrever é arriscar viver ou matar. quem não tem demônios não sabe assombrar-se.

 

 

demônios do poeta 

 

I

escrever

 

II

se soubesse o tamanho do seu traço

abusaria do sem fim e pra sempre


Escrito por Diana-Dru às 19h07
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Quinta-feira , 05 de Agosto


Solidão é um jeito de andar desajeitado by Diana-Dru


Andou pelo dia todo com aquele par de sapatos escolhido. O que lhe apertava a garganta era o nó. Deixar a caixa de ressonâncias aberta era sinal de distração. A atenção voltada para o movimento do mundo. Sapatos de salto escoltam a vontade de caminhar léguas sem destino. Descortinada ela nunca seria. Poria seu dia em ordem assim que escrevesse em casa. E colocaria no papel os olhares que teimava ver. Todo o desejo que pensara comungar com o mundo. Alguém a viu e sorriu. Sorriso daquele imitaria até aprender. Olhou direito. Da janela, viu um menino entregando flor. Queria era ser flor para andar pela mão do menino e morrer doada viva. A vida passa depressa. Não que ela olhe. Mas o que fazer com o que vê?

 


Escrito por Diana-Dru às 22h51
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Domingo , 01 de Agosto


Da xícara ao gargarejo by Diana-Dru


 

Beijou a colher que levou aos lábios o alimento e despediu-se da fome. Queria muito resgatar o pensamento roubado na noite anterior. O café espiava ainda quente a xícara bordada com batom desde as sete da manhã. O relógio preguiçoso não esboçou a que horas precisava começar a viver. E ela olhava pras unhas pensando em como fazer a curva daquele dia. Chegar sem pressa ao vestíbulo onde a roupa se escondia. A cadeira a deixou levantar-se porque sabia que ela não daria muitos passos para longe dali. O rádio desligado lembrava aquela canção antiga de infância. Como era mesmo? De pé, olhou em volta e viu que pouca coisa tinha a resolver na cozinha disposta a abrir-lhe todas as torneiras. Mas não queria isto. Não era abrir que sentia. Precisava era trabalhar esta vontade de ser caixa. Baú. Lagarto espreguiçado no jardim inventado. Sob um sol inclemente e diário. Como tudo na vida. Como tudo até então na sua vida, nada passava em branco.


 

 

Se o meu riso encolher vou tirar a boca fora. De nada adianta sorriso que estremece boca que fala palavra incerta e ri-se dela sozinha. Vou parar de fazer perguntas com esta boca aqui. E parar de rir quando a graça não estiver contida em mim. Se não tenho palavra pra contar, a boca ri do quê? E quando eu vejo a boca refletindo no rosto o sorriso que eu não acompanho, me dá um nó de água no peito. E eu deságuo. É o que faz do meu riso um acontecimento meu. Só meu.  "Se eu quebrar, você me cola?"

 

                                                                                                                                      

*este poema é pra você, Torin.          


                         

Escrito por Diana-Dru às 14h02
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