Diana-Dru, entre nós e laços


Sexta-feira , 30 de Julho


Meu Beijo by Diana-Dru


Beijo alma

Sou calada cria tua

Boca cheia de poema. 

Arremesso beijo com força para o alto

Pra lamber o céu.

Depois, a palavra que devora céu

É cometa convencendo estrela.

Beijo na palavra da boca que perfuma o hálito.

Meu poema calado de beijo arremessado

Explode é dentro da boca quando a noite se abre.


Escrito por Diana-Dru às 21h12
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Terça-feira , 27 de Julho


Escarlate by Diana-Dru


Cai como gota a palavra escarlate

Imenso tédio de tarde em alma branca

Com olho invisível que irrompe cela

Encarcera o medo e sangra

Sorri do meu parto dorido

Desse rubro bocado de poema

Nascido de verso com meu eu invertido

Ungido alívio de um arranco de alma

Ela une verso de comovido desejo

Lamenta se o poema desespera 

Se não tomba minha a sua palavra

E perdoa se não choro de vez.


Escrito por Diana-Dru às 21h44
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Sexta-feira , 23 de Julho


Os Nós e os Laços by Diana-Dru


 

“Tem gente que costura pra fora. Eu costuro pra dentro”  Clarice Lispector

 

Há dias que me caço. Em outros sou a presa fácil. Instinto de sobrevivência aflorando em mim. Machuca-me e convence de que é assim. E aí eu cedo. Berro antes mas sempre cedo. Atropela-me o seu jeito manco de vir em minha direção. Sempre lhe falta uma parte. O todo não aparece e a corrente parece frágil, vai quebrar. Mas aí eu fujo de novo. E ligo a televisão. E ouço música e também leio. Ela atravessa todos os cômodos e vem sentar-se à minha frente. Olhar sereno de espera acumulada. Eu, quieta. O meu medo não escreve nada.


“E sem introspecção, não há literatura.” Marina Colasanti

 

Apaga o cigarro. Queima uma idéia. Põe agora um ponto e distribui em linhas desvinculadas da reta. Não há porque temer versos que só mostram o avesso. Vê-se apenas o direito. Escreve sem vínculos. Sem gorjeios líricos. Passeia apenas e olha ao redor. Cada objeto pode ser poético se o olhar for para ele. E se não for, invente-o poeticamente. Miro o verso. Não sinto o poema. Sinto vertigem. Sensação de não sei aonde vou. Passa rápido todo momento que se pensa e não se escreve. Segurar a palavra antes que ela voe e pousá-la sobre o papel. Qualquer papel a segura mas só olho a mantém.


"O que é preciso é ser-se natural e calmo.

Na felicidade ou na infelicidade,

Sentir como quem olha,

Pensar como quem anda"

                                    Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

 

 

Palavras demais? Muitos sons repetidos. Nada também tem rima. Chega de vírgula. O vento está mais forte hoje. Vai levar tudo embora. Meu verso é trêmulo. É bêbado. Ingeriu Pessoa e Lispectou-se.


Escrito por Diana-Dru às 20h50
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Segunda-feira , 19 de Julho


Portrait by Diana-Dru


“Tudo o que não enxergo é relâmpago.”

Fabrício Carpinejar

 

 

Nada sei sobre poemas.

Tateio palavra como quem cata brinco no escuro.

Se não há encontro,

Vocálica, enfática, meta-eufórica

Eu sento e choro.

Mas não perco a procura de vista.

Anoiteço amanhecendo escrever.

Faço barulhos pra me acordar.

Invento saltos e pulo rimas.

O universo conspira inspiração.

Respiro profundo e me jogo.

Para o alto ou para baixo, eu aparo cada sílaba.

E morro de viver sem saber onde caiu.


Escrito por Diana-Dru às 22h34
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Sexta-feira , 16 de Julho


Teus Sinais by Diana-Dru


A tua volta

Encerra o meu silêncio de catedral

Dispensa meu restaurado anjo sentinela

Não velo mais o velho sino cheio de ritos e sinais.

Meu conto e poesia espalham-se pela imensa varanda

Assentam-se pelas cadeiras livres da solidão.

 

Venci a noite de lúcida espera,

A escuridão que não fez pacto com a lua.

 

Nenhuma claridade foi sinônima de luz.

 

A solidão caminha em direção à soleira da porta.

Ergue sua mala e pesa sua estrada.

Sozinha.


Escrito por Diana-Dru às 13h26
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Terça-feira , 13 de Julho


O Amor que me ama by Diana-Dru


É estranho, quando tentava me esconder, terminava sendo extremamente visto.”

Fabrício Carpinejar

 

Para Fernando Pessoa, o intérprete precisa possuir cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos para ele serão mortos, e ele um morto para eles.

A primeira é a simpatia. A segunda é a intuição. A terceira é a  inteligência. A quarta é a compreensão e a quinta, menos definível, segundo ele.

 

Então, aqui, esboço o que penso seja uma das possibilidades de a quinta ser mesmo indefinível como o “amor que me ama”.

 

Quem nunca se apaixonou perdida e demoradamente pelo professor, professora, artista, poeta? Pois é. Todos temos uma historinha a contar sobre paixões assim. O amor que me ama é uma expressão para contar do amor pelos poetas. Amamos o que escrevem ou, quem são? Boa pergunta. Sempre tive um cuidado sereno de não amedrontar poetas. É deles a responsabilidade em me convencer a ser cativa por livre e espontânea vontade de suas narrativas, sejam poesia ou prosa. Claro que minha emoção é permitida e ela voa livre e multidirecional. Mas é isto o que a poesia tem a promover na gente. Este vôo livre, esta queda solitária quase sempre, por vãos e becos que nunca conseguiríamos imaginar sozinhos.

Quando alguém convence com sua poesia, a verdade que ela encerra, trava-se dentro da pessoa, creio eu, um duelo muito pessoal. Quanto tempo é intenso em mim o que escrevo e/ou penso sentir? Se minha emoção é verdadeira, ela permanece sozinha. Não preciso viver a provar que escrevi porque senti. Isto é convencimento natural para quem lê. Amar poetas e imaginar-se entre eles, viver seu dia-a-dia, e, por que não, sonhar em tornar-se musa inspiradora, fonte inesgotável daquele ser supremo, maestro das palavras que podem, sim, levar-nos para outras estações do sentir.

Mas e que pensa o poeta? Se ele escreve não é porque não sabe fazer melhor outras coisas. Não precisa estar triste para que o verso invada-o, arraste-o por dicionários e livros alheios até encontrar uma palavra que finalmente domine. A inspiração é conduzida, sempre. Não há apenas o “lance” mágico, o aparecer do poema pronto. Há todo um trabalho de restauração depois disto. Ele pára e olha com crítica para a sua criatura. Pergunta-se “n” vezes o que ele mesmo quis dizer com “aquilo”. E muitas vezes, uma maioria delas, não se sente à vontade se tem que escrever sobre si mesmo, sobre seus sentimentos. Por isto mesmo somos todos, este emaranhado profuso e conturbado de emoções à flor da pele. A emoção nos pertence, sim. Mas não precisa a poesia de tantos motivos para acontecer.

Conheci um poeta admirável. Mesmo. Muitas foram as vezes em que sentados à mesa de um bar qualquer, conversando em turma de amigos comuns, de repente, sem mais nem menos, ele me passava um guardanapo. Sempre com uns  versos fantásticos rabiscados e que nada tinham a ver com o momento. Eram sempre versos de um poema de amor. O amor era o tema central dele. E era reconhecidamente, o mais mulherengo e volúvel da turma de amigos homem. Mas escrevia sem fôlego. Conseguia transpor a tênue linha da realidade e voava alto. A mulher amada por ele na sua poesia era inesquecível e todas desejávamos ser “ela”, não por ele, mas pelo poeta. Era o poeta que nos intimidava e nos instigava a acreditar que poderíamos tornarmo-nos aquela mulher, uma musa inspiradora. Um dia, este meu amigo poeta, apaixonou-se perdidamente. A pessoa em questão que arrebatou sua companhia e seu coração, não era mesmo merecedora do homem que era ele e nunca recebeu poemas dedicados, engraçado.

 

continua...

 

Escrito por Diana-Dru às 23h57
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Todos sofremos com a sua decepção real. Mas sem entrar em detalhes, não houve sequer um poema dele que fosse triste ou que manchasse o filão inspirador dos seus poemas de antes ou depois. Era o amor. Um amor que confundia muita gente porque amavam a sua poesia e a misturavam com o homem. O poeta era perfeito. O homem queria ser como o poeta mas sem radicalismos. E vivia intensamente tudo e de todas as formas possíveis.

O amor que me ama é isto. O amor que se projeta no poeta, na poesia e depois acaba. Porque se deparar com o ser humano real e falível que todos somos, não supera muitas vezes as expectativas que se cria sozinho.

Por que estou escrevendo sobre isto? Porque recebi um e-mail amorável. De um amor delicioso só que não por mim. Mas pelo meu texto. Pela pouca poesia que ainda está nascendo em mim. Fiquei sorrindo feliz porque me lembrei de que o amor que me ama alimenta poetas desde há muito. E que é indispensável mas só ao ego falido. Àquele que não tem amor em si e portanto, não conseguiria lidar com o amor dos outros sem machucar. Mas como descobrir o amor se não ostentarmos o que somos ou sentimos? Todos corremos este risco. Não sei. E creio que aqui reside um dos motivos para Fernando Pessoa descrever que a quinta qualidade do leitor é indefinível. Não podemos lidar com a emoção alheia sem correr o risco de sermos confundidos ou de mesmo, nos perdermos na ilusão do outro. O poeta não alimenta ilusão. Ele assumidamente a traz para a realidade e confunde-se com ela. Se quando escreve atinge, mexe, propõe ou parece propor, não ligue. Releve e perdoe. O poeta é um fingidor.

 

 

 

 


Escrito por Diana-Dru às 23h48
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Sábado , 10 de Julho


Palavra by Diana-Dru


 

Careço me convencer que não sou elo perdido,

Que o acaso não arreda de mim.

Há uma porta escancarada onde à chave confio o regressar.

São reticências que me arrojam os passos.

Sou presa da caça em qualquer estação.

A palavra desvairada desaba sobre mim,

Sílaba em gota.

Desaconselha morrer ao mesmo tempo que jaz e se escreve.

Mal decifro o avesso,

O verso me desarruma a alma.

Palavra.

Eu juro.


Escrito por Diana-Dru às 15h18
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Sexta-feira , 09 de Julho


A Poesia em Caracol by Diana-Dru

“Precisamos de palavras até para não duvidar mais dos silêncios.”

Fabrício Carpinejar

 

 

O que dizer da tua palavra?

Aquela que ainda está por mostrar-se,

Que há de surgir com nome e lume.

 

Quem é o artífice da cicatriz que a empluma?

Sensata, lépida, embriagadora e bendita.

 

Refletindo  a quebra dos espelhos,

Abrindo à força os lacres.

Germinando pelo teu tronco firme,

Sentinela à boca da noite.

 

Faminta por olho que a deseje arrebatar para longe,

Que a guarde em custodia camarada mas decisiva.

 

Um arcabouço anônimo a conceder-lhe repouso,

Porque a tua palavra não teme destino.

 


Escrito por Diana-Dru às 20h26
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Quinta-feira , 08 de Julho


Especial Diana-Dru 1: Para Elissa e Isabella


Quem você seria na Terra de Peter Pan?

 

Fiz de conta que a história era nova em folha, que nunca tinha ouvido falar naquele menino que se recusou a crescer. Difícil era me concentrar na bendita leitura de um relatório e não prestar atenção na maneira como elas assistiam pela enésima vez ao filme. Peter Pan foi meu personagem de histórias favorito. Não por conta de sua determinação em não crescer mas pelo que sempre me causou a história em si. Mas eu não sabia o quê. Precisei crescer pra compreender. Bem, na verdade, precisei de muito mais. Mas tudo veio no tempo certo.

 

- Se você pudesse ser um dos personagens da Terra do Nunca, quem escolheria ser, mamãe?  

- Não sei...

- Ah, mas você tem que saber !

- Tenho, é? – colocando o relatório de lado.

- Tem sim. Todo mundo tem que saber escolher alguma coisa. Você mesma diz isto...

- Digo?

- É, diz sim. Então, pense de novo com calma, mamãe.

- Ok, com calma. Bom, Capitão Gancho com certeza não...

As duas riem.

- Por que não?

- Porque ele é muito triste, solitário e velho!

Rimos as três.

- Mas quem você escolheria ser?

- Não seria a Wendy, nenhum de seus irmãos, nenhum dos meninos perdidos. Não seria a Sininho, nem o Peter Pan.

- Ah, então você não seria ninguém !

- Eu não poderia ser eu mesma?

- Não sei se teria graça, mamãe. A história é cheia de aventuras, você precisaria ser alguém lá dentro...

- Tem razão, as duas. Já sei !


Escrito por Diana-Dru às 01h52
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Especial Diana-Dru 2: Para Elissa e Isabella


- Quem?

- Posso ser a mãe da Wendy e dos meninos?

- Seria nossa mãe então!

- Mãe de vocês eu já sou, né!

- É, mas é que seria diferente porque em vez de ser apenas a Wendy, seriam duas meninas aventureiras!

- Entendi. E sobra para mim o papel da mãe que fica dormindo diante da janela do quarto esperando as filhas voltarem...

As duas riem.

- Mas por uma boa causa, mãe.

- É, uma causa nobre!

Espanto meu.

- Causa nobre. Como assim?

Elissa faz questão de explicar do alto de seus onze anos. 

- Voaríamos com o Peter Pan até a Terra do Nunca. Seria muito fácil porque para voar basta que a gente tenha pensamentos felizes. Depois, viveríamos todas aquelas aventuras que já estão na história criada pelo...pelo...

- Barrie?

- Obrigada, mãe, é, este aí. Daí, nós inventaríamos outras aventuras para o Peter!

- Sim, traríamos ele aqui pra casa por uns tempos, sabe?

- E acham que ele viria?

- Talvez...

- Não, viria sim. A gente prometeria a ele nada de escola, nada de sapatos nem de escritórios!

- E mostraríamos a ele que crescer também é legal...

- É legal, Bebel?

- Mais ou menos, mãe. Mas tem umas coisas bacanas, sim.

- Me diga uma delas pra eu ver se conseguiriam convencer o Peter a vir por uns tempos.

Pensamentos disparados no ar.

Elissa fala primeiro.

- Eu diria que as pessoas hoje já melhoraram um pouco. Que nem todo pai e mãe é tão chato como os de antigamente. Que as crianças têm mais liberdade assim, de escolher suas coisas.

- Só isto bastaria? Acho que não...Eu mesma, se fosse ele, não voltaria. Teriam que provar algo a ele...

- Eu provaria !

- Como?

- Contaria para ele que a minha mãe não esqueceu a história dele! Que ela cresceu, tá um pouco mais velha mas se lembra dele!

- É, mãe, o maior medo do Peter Pan em crescer, era o de esquecer como é ser criança. Só isto !

 

Os doutores em questões como a síndrome de Peter Pan, por mim, podem continuar a queimar suas pestanas desenvolvendo suas teorias para explicar todas as fobias possíveis. Mas o meu relatório ficou para o dia seguinte. Fomos dormir a três, cheias de idéias para convencer Peter Pan a vir passar uns tempos aqui em casa. Não me lembrava de como era bom adormecer com a janela aberta.

 


Escrito por Diana-Dru às 01h49
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Terça-feira , 06 de Julho


Par ímpar by Diana-Dru


"Pares" óleo sobre tela de Maria Conceição Valdágua

meu par acredita em solidão.

quando rimos a dois,

ele é ímpar.

não desdenha se reinvento um verso

nem do meu pacato lirismo ele ri

se o desafio é ostentar estrelas.

 

meu par também se alimenta de espera.

brinca de par e ímpar pela esfera do tempo.

 

são as esperas que nos preparam

para o desarmar de suspiros.


Escrito por Diana-Dru às 22h40
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Especial Diana-Dru: Fabrício Carpinejar


Antes Nunca do que Tarde

Não me desespero quando não recebo as respostas das perguntas que não fiz. Nem sempre estou preparado para escutá-las. A gente pergunta todo tempo mesmo sem usar as palavras. Tenho receio de gastar a linguagem e não sobrar para depois. Já disse verdades para pessoas erradas. Já disse erros para pessoas verdadeiras. Embaralhei tempos. Queimei etapas. Um diálogo que deveria ter sido travado agora já havia feito décadas antes no momento que não sentia. Quantas vezes me declarei sem pesar cada uma das expressões? A palavra é tão sedutora, que podemos empregá-la mesmo sem necessidade. Não ter necessidade é desperdiçar a própria força do que podemos dizer em seguida, com urgência. Eu cuido das palavras como quem sopra a comida. Não pode esfriar demais, nem adoecer o céu azulado dos lábios.

 http://www.carpinejar.blogger.com.br


Escrito por Diana-Dru às 10h57
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Sábado , 03 de Julho


Porque eu não queria postar nada, nada mesmo


Então.

Depois de postar “Nada”, para em seguida, jogar “Acrylex 1, 2 e 3” no ar, insatisfeita e inquieta, fui ver os blogs. O que vem ocorrendo com frequência é que não sei bem por qual começar. Se tivesse um mecanismo simples de sorteio...mas não tem. Que tal começar pelos posts no Diana? Uma boa idéia, penso eu. E lá vou eu pra Loba que vive correndo atrás do vento e uivando pra lua todos os sagrados e profanos dias. E como sempre, vem dela, aquele texto escolhido, casadinho com o meu estado de espírito que antes, nem queria pensar. E ela como sempre, toca em águas profundas. Encomenda a cada um de nós a idéia de tecer sobre o tal ser feliz. Que irresponsabilidade! A Loba tem uma mania que considero santa: mexer com as pessoas por ela mesma. Ela se vasculha tanto, se vira tanto pra um lado e outro, que ao final, as suas impressões conseguem parecer-se com as nossas. Ou seria vice versa? Isto não importa muito. Mas tenho cá meus registros. E já mudei de rumo todas as vezes que o vento soprou, convidando-me a ir ali, do outro lado do mundo, só para ver o que há. Já estive entre a cruz e a espada por “n” vezes. Encalhada na areia, indecisa quanto aos passos a dar para adiante (é, porque para trás, ainda não precisei) e cheia dos pormenores que a alma feminina insiste em carregar além dos apetrechos diários. Mas pra resumir este post, outro estimulado pela Loba correndo atrás do vento, vou deixar isto aqui.

 

A sensação do estar feliz

vem como a lua cheia.

Dona dos desejos, a provocar espasmos

múltiplos orgasmos, sensações de quero mais.

 

Convoca a minha, a tua alma,

para o invocar de arrepios,

o atiçar das chamas,

nos velhos castiçais,

 

E os nossos desejos secretos

Não serão mais sonhos suspensos.

O que não se puder desvendar,

descobrir-se-á depois.

Porque o que não sabemos,

não deve ser um laço que apenas aperta,

mas este nó dentro da gente que não afrouxa nunca!


 

Escrito por Diana-Dru às 19h51
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Nada


Adoro sextas. Adoro sábados. Sobrevivo guerreira aos domingos.

Encaro numa boa a semana inteira. Mas invento um dia de cada vez. Que ninguém se atreva a vir com uma agenda pronta para mim. Não sigo agendas. Crio tempo. Administro o que posso e o que não posso fazer. Isento os motivos. Calo os idiotas que culpam o tempo pela sua incompetência. Detesto mesmice. Evito como posso repetir-me. Mas falho também, claro. E quando as coisas parecem começar a ter um fim assim, repetitivo, sai de baixo! Isolo na madeira batendo mais de três vezes. Invoco os deuses pagãos que são os únicos que me atendem pedidos. Me perdoam os pecados porque compreendem que se preciso, se quero mesmo transcender ao comum, preciso pagar por isto. Um pouco a cada dia.

Hoje é meu sábado quieto. Não quero salamaleques nem telefones. Não atendo celular. Não faço nada que não queira de fato. Há quem se assuste da minha coragem ao dizer não. E ainda aprendo a fazer uso correto desta palavrinha tão poderosa, quando bem usada. Aliás, tudo parece que tem que ter um rumo certo. Mas quantos realmente, fazem alguma coisa certa?

Cansei por hoje. Nem sei se vou postar qualquer coisa. Mas se o fizer, fui vencida pela teimosia desvairada. Porque eu mesma, estou quieta. Não quero nada.


 

 

Escrito por Diana-Dru às 15h54
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Sexta-feira , 02 de Julho


O Último Brando



Escrito por Diana-Dru às 21h28
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Quinta-feira , 01 de Julho


Champagne com morangos e chocolate


Se eu quisesse ser feliz por um minuto

Me contentaria com simples desejo satisfeito.

 

Se eu quisesse a vida inteira em um segundo

Embarcaria em um vôo longo e demorado.

 

Se eu quisesse estar com você

Nada me impediria.

Nada.

 

Assim que o “se” desaparecer

Todos os pecados sagrados serão possíveis.

 

Você não vai mais me olhar

Com aqueles olhos de quero mais.

Nem me degustar sem me provar.

Nem saber de mim apenas se eu contar.

 

Champagne com morangos e chocolate

Eis o que será.

 

*para Loba (http://lobamulher.blog.uol.com.br) por conta de suas "Frivolidades". e para um Lobo em especial.

Ele sabe porque.


Escrito por Diana-Dru às 21h59
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