Um novo endereço.
É bem isto.

Diana-Dru
Diana-Dru by Diana-Dru for men
É fato:
Todo tato, se me enruga, vira página.

Eu teço canções.
Mantras.
Palavras aquecidas no fundo de um caderno.
Tenho alma errante.
Escassamente farta.
Cheia de prefácios.
Assim como poesia de rodapé:
Sou curta.
Pequena.
Cismada.
Este poema é dedicado à Mario Cesar, Barbant, Affonso Romano de Sant'Anna, Nel Meirelles, Nonato Reis, Linaldo Guedes, Fabrício Carpinejar. DD
Se à tua porta batesse com a ponta do pé no sol a troco de meio tostão
A vida em mim seria uma pena colorida dia após dia.
Segue-me à luz,
A dor da ausência, memória, texturas, gritos e um caminho talvez.
Guardião azul dá-lhes um rumo!
Que faz um espelho num velho patamar de escada?
Se nem sempre se escolhe o melhor caminho
O céu ao menos não tem muros...
E os deuses não param de nos visitar.
Olhos Negros como vai?
Aquela janela voltada pra o mar é para ti até Dakar...
Diz-me a hora se faz favor?
Respira fundo e me liberta.
Há vida no túnel a colorir o outono
E sol no meio da multidão
Na penumbra o valor das coisas já cheira a Natal.
Um incerto estado de graça e um espírito pensativo em corpo alegre.
Hoje eu adormeço...
Um pouco antes de acordar.
Sou um anjo de costas.
De pedra e cal.
Anonimus.
Que imponderável, frágil e leve,
Veio apanhar um pouco de sol às portas do inferno.
No vazio paro para respirar
Costuro sombras
Tardes
Noites
Cheia
Até que o amor
Vaze
Affonso Romano de Sant'Anna e Diana-Dru (arquivo pessoal/Agosto de 2005)
Pagã.
Batizei-me nas águas geladas de um vale inventado. Cortejei fases da lua, poetas...numa pluralidade cheia de cismas sobre as tais cores absolutas, invisíveis. Oscilei muitas vezes entre a virtude de um texto simples e a mesmice de escrever até escrever.
Noites...noites e um turbilhão de pensamentos encharcados. Estranhas combinações que se aglomeraram pelos velhos cadernos. Chavões inúteis criaram páginas brancas. Até onde eu seria o próprio enigma a decifrar?
Seriam minhas as palavras que atiravam-se em todas as direções sem desejar escolher caminho, este ou aquele?
Tuas sentenças amigas dizem que a luz poética penetra frestas. Que poetas não cogitam entender sobre o que não necessita ser entendido porque descobrem o prelúdio pessoal, intransferível da poesia.
Alguns textos atropelam pensamentos e nascem. Alguns são velhos rabiscos esgotados.
Enxugo a testa e o que não entendo permanece refugiado porque escondido seguro está. Até que a luz se faça, até o que em mim se disfarça, até que o até aconteça, eu escrevo erro berro e borro. Pagã.
Eu quis falar sobre o amor. Mas nenhum poema compreendeu a intenção. Andei por dicionários buscando palavras, significados. Todas me pareceram mestiças demais. Nenhuma aceitou casar com o verso seguinte. Senti-me culpada por não conseguir estabelecer uma relação de amor sobre o próprio amor. Entendo que por trás de toda palavra o amor brinca de esconde-esconde.
Não desisti de escrever sobre o amor. No escuro, compreendo a busca pela nitidez das metáforas perfeitas. Palavras são encontros do acaso. Descobertas de bem-querer. Sem a pressa da busca ou da perfeição. E isto também quer dizer amor.

Quando o sol visita minha estreita janela, deixa réstias de luz espalhadas sobre a minha cadeira preferida onde descanso a falta de sono, de sonho. A esperança sempre me pareceu vestir cetim enquanto eu, envolta em panos simples, vivo estampando cores e formas. Um dia por vez.
Cuido dos poucos, mas fartos planos. E asseguro-lhes que as horas têm mãos que aquecem borboletas até alçarem vôos enigmaticamente perfeitos. Quantas vezes o que parece não ter rumo nem prumo, voa...?
Trânsito
Não bloqueio sonhos. Mas quem guarda mantém olhos fechados para detalhes. Ando calma sem assustar mistérios. Silêncio desarmado como quem tece pacto pesado.
Ando calada como recomeço de estrada, um verbo rouco em garganta inflamada. Uma
entrelinha vermelha que desnuda papel e cai.E o fato: nunca estou onde o poema se põe. Nunca me acho quando por ele estive. Tampouco me perco por onde nele nunca fui. Só-sigo-em-trânsito.
Per Te
Não sombreei tuas cores... mas desaparecem.
Seria a rota de um sonho
Não fosse a cor do cobre
Dourado
Seria o sustento
Não fosse esmola
Colorindo cestas
Chapéus
Assim eu danço
Sem estrelas.
A própria paixão
Seja quanto como for
Sempre (nos) custa

cedo
quase
sempre
inocente
porque
os
A
M
O
R
Nós
Menos sós
De olhos fechados
Em adoração
Te amo al derecho y al revés y no tengo tono ni tino para cantarte mi canción, mi canción que no tiene fin.
Pablo Neruda
cansa-me esse espanto
de ao escrever
não saber o que dizer
ainda
que a palavra pese
a palavra
fogo fátuo
é taciturna
...
não escrever como Neruda
entristece
mas
não saber ler Neruda
pesa
envolver poesia
é desistir do ócio
viver em chamas
ando com fome absurda de dizer coisas
mas não há ouvidos
quase tudo cala aqui
fico a rondar qual serpente
espiral
preparando bote
preciso acertar caminho
para expiação
(pecados?)
escrevo com pincéis variados
e pra cada sentimento
ensino uma cor a chegar
se vier forte eu caio branco
se clara demais não sei misturar
o amor
em qualquer cor
dói sozinho
(in color)
um ano
(obrigada pela cor)
tanta gente
(tudo tão sortido)
um ano
passando passando passando
um ano
parando seguindo voltando
entre nós
nossos laços
Obrigada
Diana-Dru
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